segunda-feira, 19 de setembro de 2011

SAUDADES de ti


Estou sentada no carro
a conduzir,
e ouço aquelo música que era só nossa,
e penso, como tudo mudou....
Penso como mudei,
como era linda então,
e como me achava tão sem graça.
E recordo como me fizeste sentir,
tão importante, tão amada...
E como te amei desde aí.
E como, aos poucos, me deixaste para trás...
Eu sei, eu sei...
A Vida foi difícil, as coisas correram mal,
quase sempre muito mal...
Mas fomos aguentando,
porque o amor estava lá...

Agora, já não há amor em teus olhos.
Há pena. Há carinho, às vezes,
mas o amor foi-se,
e uma parte de mim,
morreu quando esse amor se foi.
Aos poucos percebo
como me sinto velha, e feia e inútil,
pois, julgo, que o teu amor,
alimentava minha Alma.

Agora, cada vez mais, sinto o abismo
que se in stalou no meu de nós...
Este meu corpo diferente,
este meu eu que mudou
porque nunca quiseste estar comigo,
antes, durante e depois...
E mais uma vez percebi,
que a forma como amo,
é muito diferente
da do resto das pessoas...
Mas, cada um, é como é.

Mas, hoje, ao ouvir aquela música,
senti saudades de ser feliz,
de me sentir completamente amada,
de me sentir linda só para ti.

A Vida fez muita diferença.
Hoje estamos a anos-luz um do outro.
E, por isso, sinto saudades de ti.

sábado, 17 de setembro de 2011

PAI

Quando ele sorri,
é como se o mundo se iluminasse.
Parece que toda a bondade
fica expressa
naquelas rugas profundas
marcadas pelo tempo.

Nessas alturas,
lembro o homem bom e engraçado,
que costumava cuidar de nós
e que sempre tinha uma graça
que nos fazia rir...

Nessas alturas,
conseguia esquecer os dias
menos bons,
passados no medo,
na aflição dos maus tratos
e nas dores provocadas
pela pancada...

Hoje, tantos anos volvidos,
depois de a Vida te ter maltratado,
consigo ver só o sorriso
e a Luz que sempre te ilumina.
E fico feliz por isso.
Por ter meu coração lavado
da mágoa e da revolta.
A vida, com todas as suas provas,
deu-nos isto...

Por isso, adoro-te, meu Pai.
E espero que me adores a mim também.

Um beijinho da tua filha que te ama.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

MISSÃO



Cada um de nós
tem uma missão na Vida,
ou pode fazer da sua Vida
uma missão.
Eu talvez tenha escolhido,
fazer da minha Vida
uma missão,
embora saiba que trouxe
uma missão para esta Vida.
Por muito que se pense
que está mal o que fazemos,
o que sentimos, como vivemos,
cabe a cada um de nós
escolher o momento certo,
escolher o rumo certo,
caminhar na direcção certa.

Eu não me arrependo de meus caminhos...

Poderia ter escolhido outros,
poderia ter sofrido menos,
poderia, até, quem sabe?
ter sido bem mais feliz...
Mas então, não seria eu,
esta pessoa que está aqui,
e que é como é.

E eu sou assim...
Cresci só, aprendi só e vivo só,
pois  a incompreensão,
é sem dúvida uma forma de solidão...
Mas, respeitei sempre
as escolhas dos outros,
pois seus caminhos
só a eles pertencem...
E fui respeitada por isso.
E continuarei a seguir meu caminho,
para que continue também
a manter meu próprio respeito.

Para que continue a sentir
que continua válida minha missão na VIDA
e a VIDA que transformei em missão...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

MEUS FILHOS

Há sorrisos que brotam,
sem vontade,
e carinhos que se fazem,
sem verdade...
Há amores que se sentem
sem sentido
e Vidas que se vivem
sem amigos.
Há passados que ficam
sem querermos.
Há pessoas que nos ferem
sem sabermos.
Há nossos filhos queridos,
verdadeiros.
Em seu amor por mim,
são os primeiros.

E é neles que vejo a Vida,
quando esta deixa de ser sentida.

São eles a Luz que ilumina
meus sorrisos sempre verdadeiros.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Não me peçam p'ra ESQUECER!!

Têm-me dito para esquecer,
para passar à frente,
para fingir que nada existiu...

Têm-me dito para seguir caminho,
que tudo já passou,
e que tenho mais é que viver...

Têm sugerido que "encravei" na doença
que não a ultrapasso,
que tenho que esquecer....

Será que alguma vez
alguém se perguntou
se é possível esquecermos
algo tão profundo na nossa Vida?

Será que, porventura,
alguém se apercebeu que não passou,
que ainda não passou...
Que tenho que encarar consultas,
e médicos e um corpo transformado,
todos os dias?

Será possível apagar
as cicatrizes da alma,
quando as do corpo
permanecem intactas e perenes?
Quando uma espada
permanece suspensa sobre nossas cabeças?

Eu vivo a realidade da Vida.
O dia-a-dia, o minuto a minuto.
Mas, recordo sempre, que este minuto
que agora passa,
é a única certeza que tenho na minha Vida...

Por isso, não me peçam para esquecer...
Não se pede a um soldado que volta da guerra,
para esquecer, embora por vezes ele o fizesse,
se lho fosse permitido.
Se fosse possível eu aliviar o sofrimento
daqueles que encontro todos os dias,
dos que fazem tratamento dolorosos,
dos que permanecem presos a camas de hospital,
dos que já não têm esperança,
dos que estão esquecidos e depauperados...
Se meu esquecimento
permitisse dar-lhes nova vida,
esqueceria tudo...
No entanto, cabe a nós,
aqueles que vão sobrevivendo,
não permitir que o mundo
esconda a cabeça debaixo da areia,
para não ver o que é feio...
Cabe a nós lembrar
que existem guerras a ser travadas,
pessoas que precisam de voz,
para que elas não sejam um mundo áparte.

Por isso, não me peçam que esqueça.
Não me peçam que não fale do assunto,
que ponha tudo p'ra trás das costas
e que viva como se nada tivesse acontecido!

Sou um soldado, que continua em batalha,
que traz consigo marcas de guerra,
e que dará sempre voz
aos que o sofrimento e a doença emudeceu.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

AMIGAS


O tempo passa. Depressa de mais. Ainda há uns dias éramos miúdas de liceu, brincando aos amores impossíveis, ao "jogo do copo", tentando descortinar se iríamos ser ricas, se iríamos casar, ou ficar solteiras... Quem seria o nosso primeiro homem, aquele que, de tão importante, tornar-se-ia no primeiro de nossas vidas...

E no entanto, aqui estamos nós, vinte anos volvidos sobre essa época de sonhos, em que tudo era possível, e em que nos achávamos especiais, e nossas vidas jamais seriam rotineiras como as das outras pessoas... E aqui estamos nós, casadas, com filhos, à espero de filhos, vivendo uma vida de realidades, de rotinas, porque a vida é mesmo assim, feita de rotinas... Os nossos sonhos são bem diferentes agora. Projectámo-los em nossos filhos, desejamos que sejam felizes, que suas vidas sejam diferentes, sem rotinas... Olhando em volta, consigo ver nossas rugas, rugas que a vida nos foi doando, quer pela tristeza, quer pelas preocupações, quer até pelos sorrisos que doamos aos outros.

E tudo foi tão diferente do sonhado. E tudo foi tão diferente dos resultados que, inocentemente, retinhamos do "jogo do copo"... Enfim, penso que seja idêntico com toda a gente! Crescer é uma das maiores chatices porque o ser humano tem que passar. Os sonhos esfumam-se, a vida dificulta-se, os príncipes encantados tornam-se em homens de carne e osso, com defeitos e fraquezas... E ninguém nos vem salvar, pois a salvação vem de dentro de cada um de nós.

Gostava de me sentir viva novamente. Com esperança, apesar do medo, sonhando, apesar de sofrer. Nunca desistindo de coisa nenhuma, pois tinha a vida inteira àminha frente, e o mundo era um vasto território a ser conquistado. Acreditando que tudo é possível, e que no fim, os maus são castigados e os bons vivem felizes para sempre.

O tempo passa. Depressa de mais. E cada vez há menos tempo, para ser feliz.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Minha VIDA

 
 







Por entre a neblina,
esfumada, esbatida,
surge meu futuro,
minha Vida...
Não consigo entender,
o porquê dos contornos
daquilo que consigo
enxergar...
Mas sei que é
a minha Vida,
vindo ter comigo,
lá de longe,
da Eternidade,
onde a criei,
onde a sonhei...
E nesta bruma,
tal herói vindo de longe,
aí surge, minha Vida,
com contornos imperfeitos,
com cores esbatidas,
saindo do nevoeiro.
Aos poucos, sempre aos poucos...
como se fosse num livro,
em que, com suspense,
espectamos o novo enredo.

É a minha Vida.
Por entre o nevoeiro,
das entranhas do Futuro.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Alma


Existe um jardim
algures,
dentro de nós,
para onde podemos ir,
sempre que a Vida
se torna impossível...

A sua beleza,
a leveza do seu ar,
a doçura da sua brisa,
a claridade das suas águas,
é ambiente perfeito
para repousar nosso espírito
cansado das batalhas.

Fujo para lá,
sempre que sou magoada,
sempre que me perco de mim,
sempre que sinto
as forças fugirem.
E resulta.

Dentro de nós existe
uma centelha Divina...
Uma porção minúscula
do Deus do infinito.
E é nessa centelha
que me refugio,
pois lá encontro a força
para me recuperar
e voltar a batalhar
de novo pela Vida.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Batalhas...

Ele há alturas na Vida, em que nos sentimos fatigados. Cansados das batalhas, com vontade de parar, de mudar de ares, de voar do ninho, bater asas rumo ao desconhecido e não termos mais que nos preocupar com problemas, doenças, tratamentos...

Se eu pudesse, de quando em vez, deixava de ser eu, por umas horas, e tentaria não ser nada nem ninguém. Sairia da minha Vida, esqueceria todo o sofrimento, toda a canseira, toda a ansiedade, todas as regras impostas, e ficaria assim, invisivel, num recanto qualquer, sem me preocupar se estou a ser vista ou julgada. Ficava ali, escondida em minha ausência, disfrutando um belo entardecer, ou um sol radioso de meio-dia. E podia até chorar, se me apetecesse, pois ninguém iria dar conta.

Se eu pudesse, tiraria a máscara, despiria meu corpo pesado e cansado e faria voo rasgado nos céus da madrugada. Esqueceria minhas obrigações, meus deveres... E seria nada, voando em direcção a coisa nenhuma. Estou cansada de lutar. E, se com isto pareço roçar os limiares da gratidão, para com a Vida que me poupou, Deus sabe o que quero dizer. Estou cansada por ser "obrigada" a lutar, por não poder dizer que estou com  medo, só e triste. Estou cansada de sempre ser a forte, a resistente, quando na verdade não tenho sequer coragem de chorar...

Mas, não posso...

Por isso, contento-me com o facto de me conseguir, de vez em quando, alienar da realidade, fechar os olhos e deixar que meu pensamento voe, já que tudo o resto não é possível, a este meu tão cansado EU.

Mas, agradeço todos os dias, a capacidade que Deus dá ao Ser Humano de se readapatar, de se reenventar... Só assim a realidade é possível para os Soldados da Última Grande Guerra, que é a VIDA.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Premonição...

Quando olho à frente,
tenho um vislumbre do que sinto
ser o meu futuro.
Para lá chegar, meu caminho
jamais poderá ser fácil.
Mas, quem sabe, meu vislumbre,
não é mais do que utupia
criada pelo desejo da mudança?

Mas, se viesse a ser realidade,
aquele sentimento de plenitude,
talvez valha a pena o sofrimento
e o caminho árido a percorrer.

Mas, há que viver o presente,
e deixar o futuro para amanhã,
ou então seremos vítimas de nós mesmos...
É que o futuro de ontem, é já hoje,
e hoje é já passado de amanhã...

E vivendo fora do tempo
deixamos para trás as hipóteses
de transformar a utupia em realidade...

E eu gostava mesmo de ser feliz.



terça-feira, 30 de agosto de 2011

VIVER A VIDA

Quanto te quero,
ver-te aqui, perto de mim,
assim como era antigamente,
quando conversávamos alegremente,
sem os problemas que a Vida nos trouxe...
Éramos felizes, livres, soltos,
e a Vida ainda não tinha sido,
assim madrasta, assim severa,
e ríamos tão livremente,
que era em nós natural esse sentir.

A Vida passou, deixou marcas,
cicatrizes, manchas feias, tantos traumas.
Ficamos juntos, mas sós. Separados.
Arrasados pelo peso dos compromissos.
Esquecemos quase nosso amor,
esquecemos o que nos manteve unidos.
E quer um, quer outro, talvez tenhamos
tido sonhos que a ambos nos traíram.
E travamos batalhas tão diferente,
juntos mas sempre separados.

E agora mal sabemos conversar,
e os carinhos são gestos quase agrestes,
pois perdemos a capacidade de partilhar...

Tenho saudades tuas e gostaria de ter-te ao pé de mim.
Gostava que o tempo voltasse atrás,
e de nunca nos termos perdido um do outro,
neste Universo imenso que é a Vida.

Como gostaria de ter-te aqui assim,
como era nosso antigamente.



.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Menino Amargurado


Meu 1º texto publicado na Página Jovem, do Jornal "O Comérico do Porto", em 2 de Julho de 1989, no dia seguinte ao meu 15º aniversário.


Triste, só, desamparado,
vagueia sozinho pela estrada...
É pequenino, é engraçado,
é um menino de cara cansada.
Os caracóis louros
emolduram-lhe a cara,
a cara magra mostra a fome,
a fome triste da pobreza que sara,
a alegria daquele que come
e que não sabe o que é a fome
daquele menino lindo e cansado
que vagueia sozinho pela estrada
e que não sabe o que é ser amado.
Um dia, menino, a tua glória virá...
Eu irei ser testemunha
da tua glória amargurada,
da glória de um menino que sonha!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Consciência Terrena

Ele há dias em que desanimamos, e ele há dias em que pegamos em nossa Vida e caminhamos em frente. Umas vezes sentimo-nos pequeninos e feios, outras, maravilhosos e excepcionais. Por vezes carregamos medos e frustações... Por  vezes carregamos connosco o imenso amor que sentimos pelos outros, pelo Mundo, pela Vida!

Não há Ser, neste Mundo, mais fantástico que o Ser Humano, pois nunca desiste, cai e levanta-se e recusa-se a ceder às vicissitudes. Coloca a sua carga aos ombros, de todas as vezes que ela cai, e consegue, mesmo assim, ajudar seu irmão. Tem a capacidade de se apaixonar para a Vida toda, ou de viver o amor de uma Vida em segundos. É cheio de paradoxos, e destrói-se com facilidade. Mas, reenventa-se todos os dias, renascendo, tal Fénix saída das cinzas.

E, só por hoje, sinto-me feliz por estar aqui neste Mundo, fazendo parte desta realidade. Só por hoje, permito-me o direito de ser como qualquer outro ser neste Planeta, vivendo, sorvendo o ar, respirando a energia que existe na natureza, na terra, na chuva e no sol.

Só por hoje, vale a pena ser humana.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Se fosses uma árvore...

Se eu fosse uma árvore, seria grande e frondosa...
Teria imensos ramos e folhas perenes,
que jamais deixariam de dar abrigo do sol e da chuva
a todos quantos dele precisassem
e serviria de lar a muitos e muitos pequenos animais.

Seria muito alta, e estaria situada no cimo de uma pequena colina,
onde pudesse ver tudo em redor, mas não muito longe de meu bosque,
para que não me sentisse só, sem a companhia das outras árvores.

De manhã, os pássaros seriam meu despertar,
e à noite as corujas e os morcegos, far-me-iam companhia.
Durante o dia, seria abrigo de namorados secretos
e guardar-lhes-ia, com prazer, seus segredos.

Pretegeria as crianças do sol de verão,
e meus ramos e folhas seriam manto de abrigo,
para os que buscam um pouco de aconchego no exterior de suas casas.
Teria um rio por perto, para podermos conversar.
Eu contar-lhe-ia o que ouvia junto ao céu,
e ele o que ouvisse em terras longínquas, junto da nascente.

Se eu fosse uma árvore, estaria bem presa no solo,
com raízes profundas, que ciclone algum pudesse destruir.
Mas, ao mesmo tempo, estenderia meus braços ao céu,
e estaria mais perto dos pássaros, das nuvens e do Criador.

Se eu fosse uma árvore, seria feliz, pois apesar de presa ao chão,
conseguira certamente, executar com sucesso minha missão:
fazer dos que dependem de mim, pessoas felizes.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

INTEMPORAL

Quanto tempo
tem o tempo
para nos aturar?

Quanto tempo,
tira o tempo,
p'ra nos ensinar?

Quanto tempo
damos ao tempo,
p'ra podermos aprender,

Que sem tempo,
não há tempo
que nos faça crescer?...

Tempo, querido tempo...

Tempo que, com o tempo, se vai.
Não se compra, não se vende,
não se perde, nem se ganha...
Tudo é ilusão...

O tempo passa
por todos nós,
tal cronómetro,
"contando" a Vida.

Quanto tempo
tem o tempo,
para cada um de nós??

domingo, 21 de agosto de 2011

Férias...

Achamos que vale a pena sair de casa, para termos um pouco de descanso, saindo da nossa rotina, achano que, pelo facto de estarmos num lugar diferente, a nossa Vida se torna, de repente, diferente também.

Claro que tudo não passa de um triste engano, quando as pessoas que nos rodeiam, estão, de facto, de férias, e nós continuamos na nossa lida diária, porque ninguém se sabe organizar, criar rotinas, ou viver, sem ter quem os coordene.

Eu precisava de férias... Precisava de respirar, dormir, deitar-me e levantar-me sem canseiras... Mas, a verdade, é que isso será, simplesmente impossível. Mudei de cenário, mas não mudei de vida: Não que acreditasse piamente que isso iria acontecer, mas penso que sempre reservo grande esperança de que isso venha a acontecer.

Enfim, e de quem será a culpa, senão de mim mesma, que estou sempre pronta a ter tudo organizado, para que todos possam disfrutar de todos os momentos??? E continuo sem coragem, ao fim de todos estes anos, de mudar essa tendência....

Férias??? Seria mesmo, mesmo bom!!

Boas férias a todos!!! :)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Caminhantes de Luz - Texto com o qual concorri ao concurso "CONTE CONNOSCO" - classificação: 86º Lugar - Obrigada pelos Vossos Votos!

Quando a nossa Vida depende de outros, e quando somos salvos por eles, há que prestar tributo a esses Homens e Mulheres que fazem caminhadas difíceis connosco, e que se tornam parte integrante de nossas Vidas.

 
É noite e sinto-me só. Acabei de saber que tenho cancro e, aos 35 anos, com dois filhos pequenos e montes de coisas para pagar, a escuridão que se abate sobre mim, é imensa. Contudo, penso em todos os outros que, como eu, também descobrem que, afinal a Vida não dura para sempre, e às vezes pode acabar muito antes que o que esperamos.
O caminho a trilhar será difícil, mas não há lugar para a derrota. O único objectivo, nesta luta pela vida, tem que ser VIVER. Reviro-me na cama, pensando em todos quantos se irão preocupar comigo, em todos quanto meu sofrimento e minha eventual ausência poderá tocar. Não choro. As lágrimas não têm, neste momento, lugar para poderem, sequer remotamente, existir.
As pessoas que encontrei ao longo da caminhada, depois dessa noite muito escura, foram a Luz de meus dias cinzentos, incertos e sofridos. Foram a minha Esperança nas horas em que pensei em desistir, foram a razão de meu sorriso em todos os dias durante esse longo ano.
A quimioterapia durou seis meses. Foram os piores e os melhores meses da minha vida. A sala de tratamentos permanece em minha memória, como um local cheio de alegria, enfermeiros e enfermeiras cantarolando, brincando com os nossos “cateteres malandros” que por vezes não funcionavam, tratando-nos sempre com o maior respeito, amizade e carinho pelas nossas tantas queixas e lamentações.
Sempre saí dali com a Alma lavada, com a Esperança renovada, de que, desta vez, os efeitos secundários iriam passar mais depressa. Nesses oito tratamentos, conheci pessoas fabulosas, que falavam da doença como a melhor coisa que lhes aconteceu na vida, pois, apesar de tudo, agora sabiam quem realmente as amava, viam o Mundo sob outro ângulo, e a morte como uma continuidade da Vida, onde, certamente, se sofreria menos. Trocávamos contactos, experiências, sorrisos e lágrimas de comoção. Não existe nada igual ao elo que se cria entre seres humanos em sofrimento, pois o egoísmo, a hipocrisia e a vergonha de nos mostrarmos como somos, desaparecem, e podemos ser NÓS mesmos…
Víamo-nos sem cabelo, sem unhas, inchados, com a pele queimada, mas lutando, pois continuávamos vivos.
Quando finalmente, chegou o dia da cirurgia, voltou a ficar de noite para mim, e nova escuridão se apoderou de meu espírito. Rezei a Deus, pedi aos céus, que não me abandonassem, que me dessem força, para permanecer forte até ao fim, para não chorar na hora da despedida dos entes queridos e de meus queridos e adorados filhos… Que medo tive de não voltar a vê-los, de perecer na mesa de operações, de não poder nunca mais abraçá-los e sentir-lhes o cheiro doce de criança.
Numa fracção de segundo, diante de meus olhos que não choraram, revi todos os momentos chave daqueles últimos seis meses: o diagnóstico, os exames assustadores, o primeiro tratamento, eu a rapar a minha cabeça quando o cabelo começou a cair em catadupa, a colocação do cateter, as primeiras dores, a véspera de Natal em que fiz quimio, o último tratamento, e o dizer “adeus” ou “até breve”, a todos aqueles que naquela sala me ajudaram.
Por eles, por tudo o resto, e acima de tudo, por mim, virei as costas e entrei no carro, sem olhar para trás. Há luxos aos quais não temos direito…
Foi na antessala do bloco operatório, minutos antes de me administrarem a anestesia, que me permiti chorar durante uns segundos, depois de me ter apercebido que, se o não fizesse, algo dentro do meu peito iria rebentar.  Precisava tanto de parar de representar, de parar de fazer de conta que estava tudo bem, que não me doía nada, que o eu ter cancro não era nada do outro mundo, e que o facto de eu estar prestes a ser submetida a uma mastectomia, não alteraria em nada o facto de me tornar uma mulher diferente das mulheres comuns… Estava tão cansada de ser forte… Por isso chorei.
Quando acordei da cirurgia, não queria acreditar! Estava viva!... Os dias que se seguiram, os tratamentos de radioterapia, os curativos, tudo passou tão rápido, pois minha ânsia de voltar a viver era tanta, que só queria que o tempo passasse depressa, para sentir forças novamente, para voltar a ter cabelo, para poder brincar com os meus filhos… Existia em mim uma força de viver, uma alegria, uma quase histeria na sobrevivência, que fez com que a recuperação fosse uma fase de alegria, e jamais de sofrimento.
Os amigos que fiz no IPO, as pessoas que me trataram, desde médicos, a enfermeiros, a radioterapeutas, a pessoal auxiliar… Esses são meus “Caminhantes na Luz”, pois todos os dias lidam com um sofrimento difícil de igualar, todos os dias vêem no alto de nossas cabeças, a “espada” que se encontra pendente, e que a qualquer segundo pode ser desferida.
Quando descobrimos que temos cancro, valorizamos tudo ao milímetro: a luz do sol, o vento, o Verão e o Inverno, as pessoas, os aniversários, pois nunca sabemos qual será nosso último acontecimento positivo. Ficamos mais sensíveis, mais do “lado de lá” do que do de cá, e o Além, surge, por vezes, como um conforto face ao sofrimento e à dor. Mas, a luta pela Vida que travamos todos os dias, faz-nos perceber, que sem o sabermos, adoramos imensamente VIVER, e que só faremos a “travessia” para o outro lado da Vida, quando chegar nossa hora de embarcar nessa jornada…
A solidão em que a sociedade nos força a viver, quando não temos cabelo (principalmente), faz com que nos tenhamos que nos tornar no nosso melhor amigo, e, finalmente, conseguimos olhar para o interior de nosso coração e percebemos que, afinal, somos seres com muita Luz também.
Ao longo desta caminhada, que continuo a fazer, e que tem corrido melhor do que esperava, fui perdendo companheiros de batalha, e todos os dias penso em quantos mais irei perder antes que chegue a minha hora de partir também. No entanto, foi-me dada uma segunda oportunidade, que pretendo partilhar com todos… Continuo a poder abraçar os meus filhos, e a sentir-lhes o cheiro doce… Foi-me permitido viver um pouco mais e acompanhar o seu crescimento e estar presente quando precisam de mim. Todos os dias agradeço a Deus, a oportunidade que me deu de viver um dia mais, para além dos muitos que contava em não viver. Porém, dentro da solidão a que o estigma da doença nos condena, aqueles que olham para nós com amor, com carinho e compreensão, sem aversão ao nosso aspecto e às cicatrizes físicas e emocionais, esses são os nossos verdadeiros salvadores. Aqueles que, apesar de terem real consciência do nosso estado, jamais deixaram de nos transmitir esperança e confiança no futuro.
Hoje, as minhas noites já não são assustadoras e escuras. Apesar de ter escolhido viver, a Morte surge, por vezes, como uma companheira sedutora, que fará com que a “espada” desapareça de cima de minha cabeça. Contudo, devo a Luz que carrego dentro de mim, a todos aqueles que nunca desistiram de acreditar que viver era a única opção de que eu dispunha. Foram meu farol em dias de tempestade, foram aqueles que me guiaram para fora da tristeza e do desespero. Por isso lhes chamo da Luz, Caminhantes…
É noite e tenho 37 anos. Neste momento não tenho cancro. Olho meus filhos dormindo sossegadamente, e dou-lhes muitos beijinhos como faço sempre. Ao desligar as luzes sorrio. Descobri que a única LUZ de que preciso, está dentro de mim. E que ela me foi doada por todos aqueles que, na escuridão, conseguiram VER. A minha gratidão será eterna. O amor que sinto por eles, infinito. E eu, humildemente, tentarei passar essa LUZ, a todos quantos que, como eu, viveram assustadoras noites de escuridão.

sábado, 13 de agosto de 2011

Banalidades sobre...

As pessoas sempre dizem que sou triste, que escrevo sobre coisas tristes, que deveria ver a Vida com mais alegria e optimismo...
O que as pessoas não sabem, e talvez nunca venham realmente a saber, é que, apesar de tudo, até sou bastante optimista, e consigo controlar os meus medos, a minha tristeza e a minha amargura...

Quando se cresce pensando que não valemos nada, que nada do que fazermos tem valor, que todos são melhores que nós, que somos feios, gordos, estranhos, acabamos por nos isolarmos do Mundo, a tal ponto, que acreditamos que tudo quanto nos incutem é verdadeiro, e que de facto somos um impecilho, um estorvo, alguém inacabado, inadaptado e diferente. 

Hoje, ensino os meus filhos, que a diferença é positiva, quando dela são consequentes o amor, a verdade, a inteligência, a dignidade, a nobreza de espírito, entre muitas outras coisas que se foram perdendo com o evoluir desta sociedade em que vivemos.

Não temos que ser "cordeiros" e dizer "sim" a tudo! Temos antes que aprender a discernir, dentro de nós mesmos, aquilo que vai de encontro à nossa Paz de consciência, à nossa Paz de Espírito.

Escrever sobre os nossos fantasmas, faz com que os exorcizemos, façamos catarse de tudo quanto tivemos que "enterrar" no fundo nosso inconsciente, e ultrapassemos o nosso passado, da melhor forma que conseguirmos.

Por isso, julgo eu, o maior instigador à criação, seja talvez o sofrimento, transformado em solidão, em incompreensão, em tristeza. Assim, quando leres algo triste, não penses "que seca!", "que dramático!".  Tenta  ser solidário e pensa que, por trás de um poema triste, está quase sempre alguém que passou por sofrimento, e que em vez de esmurrar paredes, dizer palavrões, ou fazer sofrer os outros, resolveu escrever sobre isso.

Acho que, vale a pena pensar nisto!!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Impossível...










Translúcida, que seja, a tua pele,
transparente que seja meu sentimento...
Não mais importa  a impossibilidade
de alguma vez podermos ficar juntos...

A plena consciência
do que não existe,
mantem-me forte da exclusão
com que tratas tamanho sentimento...
É tristeza pura, esta ilusão,
de que sentes o mesmo que eu sinto.

Mas não faz mal, pois na verdade,
meu sentimento pulsa-me o coração.
Sinto a Vida correr-me nas veias,
sinto a beleza da sensação
de, por vezes, achar-me especial,
em minha eterna solidão.

Não fiques triste, meu coração...
Tu e eu, caminharemos juntos,
para rumos eternos  de perdão.


domingo, 7 de agosto de 2011

Alma Gémea

Há esmeraldas em teu olhar,
e brilho que penetra a Alma,
não deixando sequer escapar,
minha réstia de calma...

Teu rosto áspero no meu,
é verdadeira confusão,
será que és tu, serei eu,
com este bater de coração?

Olho em frente porque sei
que não há lugar para nós...
Num caminho me aventurei
Onde sempre estaremos sós...

Solidão que não mata,
mas destrói o coração,
sentimento que nos ata
em tão grande confusão...

E é só em pensamento
que me entrego ao desespero,
Pois o amor foi-se no vento
e já nada mais eu espero...

Mas a beleza que vivi
dentro de meu coração,
jamais a tirarão de mim
pois está fechada em prisão...

O sonho é cadeia
sem grades, correntes ou muros...
É palavra solta ao vento
Com esperança em seguintes futuros...

És Amor meu, Alma gémea,
meu companheiro sem chão...
Nossa  existência é etéria
Eterno nosso Coração...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Amor de verdade...

Sentir na pele
a pureza de um amor verdadeiro,
o calor que emana
de um sentimento que preenche
de tal forma o coração,
que lá não resta mais espaço
para sentimentos mesquinhos,
é uma benção verdadeira
para os afortunados que tal sentem.


Quando os olhos falam,
quando a mente sente
o pensamento do outro,
sem que as palavras tenham
qualquer significado...
Quando um abraço
é mil vezes mais quente e acolhedor
do que um milhão de fogueiras...

Então saberás que amas verdadeiramente.
Então farás parte dos afortunados
que durante uma vida
têm a  oportunidade de serem felizes.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Se, Alguém, realmente me conhecesse...

Se realmente me conhecessem,
jamais veriam aquilo que vêem em mim,
pois não sou nada daquilo que pareço.

Se o mundo realmente me conhecesse
saberia que a alegria que demonstro é fabricada,
que cada palavra é pensada,
por forma a causar o menor dano possível
em quem a ouve.

Se as pessoas realmente me conhecessem
saberiam que meus olhos nunca riem
que minhas lágrimas nunca saem
e que minha tristeza é a batalha mais dura
a que alguma vez fui submetida.

Se tu realmente me conhecesses
saberias que o brilho desapareceu,
que as lutas me derrubaram
e que as desilusões me maltrataram
a tal ponto, que não existe já quase nada de mim.

Saberias que a tristeza é cansaço,
que o dia-a-dia é rotina,
e que a minha solidão
é o que resta a alguém que nunca é compreendido.

Por isso, é preferível que, realmente, ninguém me conheça.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Amplitude...

Existe uma Luz
que brilha intensamente
dentro de minha memória,
como se fosse um farol
iluminando caminhos,
que em tempos percorri.

Sei que não sou compreendida,
nem procuro sequer sê-lo,
pois se eu mesma duvido
de minha própria lucidez...

Mas nos dias em que
essa Luz brilha fortemente,
sei... Sim, sei!
que sou completamente diferente...
Não que isso preocupe
ou ocupe minh'Alma...

Contudo, o não compreender,
se é loucura
ou extrema lucidez,
aquilo que sinto por vezes,
faz com que me sinta perdida,
entre paradoxos
e universos paralelos...

Nos caminhos da memória
percebo a amplitude
das verdades que se cruzam...
E cruzo, minhas memórias,
procurando encontrar
meu caminho até mim.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Alma

Brilha, brilha,
Alma minha,
meu pedaço de Deus,
que sobrevive em mim!
Que teu brilho
me encontre
no sítio
onde me perdi,
pois sozinha
estou perdida
e não consigo encontrar-me..
Que neste pedaço de Céu,
no coração que é meu,
sejas farol em noite escura...
Que me guia, me traz a casa
donde jamais deveria ter partido.

E ao encontro de Deus,
pedaço brilhante que é meu,
voltarei logo que possa.
Jamais me sentirei perdida
encontrarei a minha Vida
onde quer que Ela esteja...

E voltarei a ser feliz.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Luz nas trevas...

Querida Esperança,
fica comigo,
não me abandones jamais...
Sem ti, nada mais serei
que desalento mórbido
e sombrio,
onde dia e noite
nada mais serão que escuridão
pejada de fastasmas
que brincam ao medo
com meus sonhos desprotegidos.

Fica comigo, Esperança minha...
Dá-me tua mão e em minha mão
sentirei tua força, tua Luz.
E 'inda que me perca na escuridão
jamais ficarei nas trevas
pois lá estarás comigo...

Luz suave, envolvente
que tranquiliza meu coração,
balsamiza minh'Alma
rumo à Eternidade.

domingo, 10 de julho de 2011

Contradições





Porque será que teimamos quando devemos parar, e não lutamos quando o devemos fazer? Sucumbimos à tristeza quando devemos buscar a alegria no nosso dia a dia e teimamos em estar deprimidos quando deveríamos teimar no oposto??

Porque somos tão auto-destrutivos? Porque fazemos o que nos prejudica, usando toda a nossa força e depois, não conseguimos usar a nossa força para combater comportamentos que nos fazem mal?

Somos tão antagónicos, e vivemos tantas realidades paralelas, que nos perdemos da vida, usando o mal em vez do bem, e sendo unfelizes ao invés de tentarmos o contrário. Achamos que somos boas pessoas e teimamos em nos mostrarmos como somos, mas fazemo-lo sempre com quem não nos quer conhecer. E todos aqueles que adorariam estar connosco, são varridos de nossas vidas, pois achamos que nos sufocam com a sua atenção desmesurada.

Somos seres complicados que querem o que não têm e têm o que não querem. E isso torna-nos infelizes e insatisfeitos. A frustração torna-se nossa companheira e a solidão parece ser o nosso Destino último. E apesar de eu saber que não é isso que nos leva ao "bom caminho", sei que é isso que faço em muitos dos dias da minha Vida.

Sermos humanos, é complicado. Não o sermos, seria bem pior. Por isso, façamos o melhor que pudermos com o que possuímos. Nada mais será esperado de cada um de nós.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Se fosse possível...?

Se te fosse possível falar com Ele... Se te fosse possível falar com Ele, sobre o que conversariam? Sobre ti e a tua Vida? Sobre o Mundo e o seu Destino? Sobre o futuro dos que amas?

Se te fosse possível vê-Lo, estar com Ele... Gritarias de revolta? Acusá-Lo-ías das desgraças da tua Vida, das desgraças do Mundo? E depois, se Ele não te respondesse, que farias? Terias coragem de continuar a gritar, ainda que Ele te olhasse docemente, como quem compreende o teu sofrimento, e o dos outros e o do Mundo? Porque não faz Ele nada? Porque te deixa sofrer, a ti, aos que amas e ao resto do Mundo??

E se Ele te dissesse: "Se não tivesse estado contigo, com os outros e com o Mundo, tudo teria sido bem pior!"... Acreditarias?

Sabes o que eu faria, se pudesse vê-Lo, senti-Lo e sabê-Lo ali, ao pé de mim? ...

Aninhar-me-ía em Seu abraço, aproveitaria Seu colo sincero, sentir-me-ía verdadeiramente amada, nem que fosse somente por um segundo... Pois, Ele nunca me disse que a Vida era fácil, nunca me forçou a tomar decisões erradas, nunca me mentiu sobre coisa nenhuma. E ainda assim, não fui capaz de ser-lhe fiel, pois meu coração perdeu-se pelo Mundo e minh'Alma esquece-se imensas vezes do Caminho para a Casa que Ele me designou.

E no entanto, correria, se pudesse, para seu regaço e dormiria um sono de verdade e quando acordasse seria, realmente, Feliz.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Esperando...

Aguardo em meu recanto
que o Destino,
me forneça pistas
ou trajecto ou caminho,
para que siga em frente
minha Viagem
pois o Tempo de que disponho
é curto e tem que ser utilizado
na Missão que me atribuiste.

Ás vezes canso, às vezes páro...
Ás vezes perco o rumo
sinto-me perdida.
Mas logo a seguir
todo este medo
me devolve á minha realidade.

E deixo de pensar
em mim e só em mim,
e percebo que medo
toda a gente tem.
Mas coragem é seguir em frente
esquecendo a vontade
de fugir...

E a Ti volto, sempre,
pois eu sei
que mesmo na imensa escuridão
jamais me abandonarás...

Pois és Dia, Luz e Vida...
És sopro de ar que respiro
e sol que banha o meu Espírito.

E só em ti sou Feliz.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O poder do perdão e da palavra certa...

Quando alguém te ofende, não te ofendas, pois, possivelmente, quem te quer magoar fá-lo porque é infeliz. Perdoa e pensa que tens muita sorte, em não teres que ver os outros infelizes, para te sentires melhor contigo mesmo.

Quando alguém te disser que estás mais gordo, mais velho ou mais careca, minimiza! A verdade é que quando temos que assinalar os "defeitos" dos outros, é porque nos sentimos muito mal em relação a nós mesmos. Tenta antes ver o que melhorou no aspecto dos outros e verás o quanto as pessoas dirão como estás com melhor aspecto.

Perdoa quem não consegue ver a beleza que existe no sofrimento, na dor, na solidão e na velhice, pois o seu medo de passar por situações difíceis é tanto, que se esquecem de "ver" e de "escutar" com os olhos e os ouvidos do coração. As pessoas mais felizes na Terra, não são aquelas que têm tudo, mas antes as que valorizam imensamente tudo quanto têm, pois perceberam que é necessário muito pouco para atingir a verdadeira felicidade.

Ama todos aqueles que estão prestes a fazer a "última travessia", que pertencem mais ao Além do que aqui, pois esses são os que cumpriram a sua jornada e se preparam para reparar forças no "Nosso Lar". A Vida é uma caminhada, em que somos forçados a sofrer para aprender a perdoar, em que somos forçados a ser ridicularizados para percebermos que assim, aprendemos a ter a palavra certa, cheia de amor, para todos quantos nos ofendem sem necessidade.

Eu agradeço o meu percurso, e espero que ele perdure, pois existem ainda muitos perdões a fazer e muitas palavras certas a dizer...

Para que, quando chegar a minha vez de fazer a "derradeira caminhada", leve comigo o sentimento de dever cumprido, e possa finalmente descansar...em Paz.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Caminhos perdidos

Perdemo-nos um do outro,
e aquilo que pensamos
já nada tem em comum.
Algures, em nosso caminho,
duas estradas se abriram
e o amor não chega
para que ambas as direcções
se reunam numa só...

Espero que um dia,
olhando para o passado,
consigamos perceber
quando nos perdemos
um do outro.

Entretanto, esta tristeza,
será sempre a companheira
em meu trilho solitário.

E a Esperança permanecerá,
qual estrela, brilhando,
quando o sol se põe,
no horizonte longínquo.